Falei pro Marião: “Quero filmar o Chevrolet!”.
Ele me olhou com aquele seu jeito blasé:
“É só trazer o equipamento e filmar... já tá pronto”.
“Cinema é cine¬ma, teatro é teatro”, disse pro
dramaturgo. Hoje, digo com convicção, que
atirei no dramaturgo certo.
O fato concreto – e aqui me permito um jargão –
é que sem este texto original não chegaríamos a
filme nenhum. O clima de anos 70, a tragédia
familiar (quem tem mais de dois irmãos sabe bem
do que eu estou falando), a coisa colocada nas
bordas da vida, o sarcasmo, o niilismo, a virulência,
a atualidade, o dilema dos personagens. As vidas
sem saída. A agudez, poesia e transcendência do
texto de Bortolotto. O cara conseguiu fazer um
texto, ao mesmo tempo moderno, inteligente
e universal. Tudo enredado pelos belos hinos do
rock’n’roll daqueles anos.
Quem ainda não leu, tem que ler em quinta marcha.
Quem já leu, dê uma ré rapidamente e engate
novamente a primeira. Você vai ter sacolejadas
vertiginosas nesta nova viagem do Chevrolet.
Reinaldo Pinheiro
Diretor do filme Nossa vida não cabe num Opala.
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